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Chá da Tarde

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Velhinhas simpáticas conversando horas e horas em uma mesa repleta de bolos, biscoitinhos e quitutes. Essa é a imagem que temos do famoso e tradicional chá da tarde. Mas ele está mudando com o passar dos anos. O tipo de serviço é usado para festas de aniversários entre jovens, reencontros de colegas de faculdade ou ainda confraternizações de empresas. “O que ainda prevalece é a presença feminina”, garante Miklos Hromada, sócio-proprietário do restaurante Quinta do Museu.


A casa fica dentro do Museu da Casa Brasileira (SP), que abriga móveis brasileiros e portugueses do casal Fábio Prado e Renata Crespi. Ponto de encontro entre pessoas que moram e trabalham perto do local ou ainda freqüentam os clubes Hebraica e Pinheiros, o restaurante recebe muitas pessoas no fim da tarde. Grande parte dos comensais costuma jantar lá e levar o que sobra para casa. Entre os quitutes: sanduíches de salmão defumado, cream cheese e dill, tortas, bolos, brownies e mini-quiches.

O costume deste lanche requintado trazido pelos ingleses tem como grande protagonista o chá (veja aqui bebidas e receitas) bebida milenar que começou a ser apreciada na China, no século 4. Naquela época, as folhas não eram fervidas para beber, mas colocadas em bolos e fervidas com arroz, especiarias e nozes.

Segundo algumas pesquisas, a Inglaterra trouxe os chás chineses para o Ocidente no século 17. Entretanto, conforme a especialista Carla Sauressig, a bebida foi trazida por holandeses e portugueses que mantinham suas colônias na China. A tradição se fixou na Inglaterra, onde a pausa para o chá, tea break, era feita às seis horas da manhã pelos trabalhadores das indústrias, a mesma parada também era feita à tarde.

A segunda bebida mais consumida no mundo também participou de eventos importantes da história, como a independência dos Estados Unidos. Em 1773, a oposição ao aumento da taxa de importação de chá era uma forma de protesto dos americanos contra os regulamentos britânicos, fato que contribuiu em muito na tomada de decisão da independência.

Chá ou Infusão?

Por incrível que pareça, muita gente ainda não tomou chá de verdade. O chazinho de camomila ou erva-doce em saquinho trata-se de uma infusão. “Existem chás saborosos de saquinho, mas é bom abrir e ver se estão todos com coloração e tamanho parecidos, ou, por exemplo, se têm flores de camomila. Por isso, nada como ter o contato com o chá”, alerta Sauressig também representante da marca Tee Gschwendner no Brasil, que utiliza apenas ervas de produção orgânica. O papel dos saquinhos também é orgânico, pois não recebem cloro para ficarem brancos.

O chá é uma bebida proveniente das folhas e dos botões da Camellia sinensis, de origem chinesa (confira aqui dicas de preparo). Essas folhas passam por três processos principais de fermentação: verde, oolongo ou preto. Quando ela é baixa, trata-se de um verde: rico em antioxidantes e vitamina C e produzido principalmente no Japão e China.

Na fermentação oolongo (entre o chá verde e preto), a oxidação não é completa, por isso as folhas não ficam verdes nem pretas. Geralmente, a infusão dura entre dois a quatro minutos e a água deve estar recém-fervida. Já o tipo preto, fabricado principalmente na África, Indonésia, China e Sri Lanka, passa por uma fase ainda mais longa de fermentação.

Aromatizados

Quem já conhece um pouco sobre chás, aprecia um bom aromatizado, uma mistura do chá “base” (preto, oolongo ou verde) com flores, frutos, ervas e especiarias. O blend acontece na fermentação e envolve profissionais de engenharia química e de alimentos.

Sauressig, que esteve recentemente na Europa, ressalta novas combinações com frutas tropicais, como manga e coco, anunciadas por Thomas Holz – provador de chá e grande especialista no assunto. “Em junho e julho, eles já estarão nas lojas daqui”, garante a especialista.

Ayurvédicas

Além de ser saboroso, as ervas e temperos dos chás ainda são usados por médicos para estimular certos sentimentos, como, bom-humor ou coragem. Para manter a paciência, o médico indica uma mistura pronta de hortelã, gengibre, melissa, pétala de malva e tomilho.

Harmonização

Assim como os vinhos e a cachaça, os chás podem ser combinados com salgados e doces. Cristina Piereck, gerente operacional do restaurante Nakombi e estudiosa do assunto, aplica alguns conceitos de harmonização no restaurante. “Quando se tratam de pratos mais gordurosos ou com frituras, indico um chá preto por ser mais intenso e forte, até combinado com especiarias, para atenuar a gordura. Receitas com cogumelos que recebem shoyo ou sabores mais adocicados, ficam muito bem com um verde ou preto harmonizado com gengibre, canela ou cardamono. Peixes ou sushis com wasabi ou shoyo são combinados com chás a base de frutas”, explica.

Já Sauressig indica a bebida gelada ou quente para um churrasco. “Neste caso é bom acompanhá-lo com um chá encorpado (preto). Para queijos, a especialista recomenda um bom preto ou oolong que auxilia na digestão. E por fim, no famoso chá da tarde, o melhor mesmo é o chá preto que combina com tudo. Mas caso tenha um bolo de morango, vale um chá verde ou preto aromatizado com a fruta, enfim, tudo para tornar o lanche requintado da tarde ainda mais saboroso.

Matéria assinada por:
Juliana Lopes

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Muito legal!!!
Achei super interessante esta matéria. Ressalta o saboroso prazer de um chá com amigos e amigas. Aprovadíssimo!!! Matérias assim me inspiram!

paulinha - em 01/10/2011

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